Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Chico Xavier — Mandato de amor — Autores diversos — 4ª Parte


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Evangelização da criança

(Perguntas elaboradas pelo Depto. de Evangelização da Criança de Juiz de Fora. Respostas fornecidas pelo Dr. Bezerra de Menezes, através do médium Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, na noite de 10 de novembro de 1964.)


1. Pergunta — Qual é o valor espiritual de uma Escola Espírita de Evangelização (E. E. E.) em instituição espírita?

Resposta — “Filhos, Jesus nos abençoe. Vinculemos propósitos e tarefas às raízes kardequianas que nos presidem esforços e manifestações. Da importância de uma Escola Espírita de Evangelização para crianças falaram, positivamente, os instrutores de Allan Kardec, em lhes respondendo à questão 383, de “O Livro dos Espíritos”, quando assim se expressaram, em torno do estado de infância: “Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.” Meditemos no assunto que foi objeto da melhor atenção do Codificador, nas primeiras horas da Doutrina Espírita.


2. Pergunta — Que diz da existência, no lar, de E. E. E.? E da administração de aulas para crianças, num Centro Espírita, no Posto mediúnico? (A existência de um grupo espírita para fins mediúnicos, num lar, sabemos prejudicar a atmosfera psíquica.)

Resposta — “Consideramos que o culto do Evangelho em casa pode funcionar em apoio da Escola Espírita de Evangelização, sob amparo e supervisão dos pais que, a rigor, são os primeiros orientadores dos filhinhos. Somos de opinião que o recinto de evangelização pública, num templo espírita, é sempre o lugar mais adequado à evangelização da criança, porquanto semelhante cenáculo do pão espiritual guarda consigo a natureza da escola”


3. Pergunta — O Espiritismo e a ciência se completam reciprocamente: (Kardec, Gênese, página 20). “É preciso psicologizar a educação”. (Pestalozzi) Temos nos esforçado para estudar e transmitir aos orientadores (professores de E. E. E.) noções de Psicologia, Pedagogia e Didática. Perguntamos: para o nosso caso, devemos considerar estes estudos como indispensáveis? Úteis? Desnecessários? Prejudiciais?

Resposta — “Admitimos com a lógica que esses estudos são indispensáveis a quantos esposaram de maneia específica o trabalho do ensino, e positivamente úteis a nós todos, os espíritos desencarnados e encarnados, entregues ao serviço de educação de nós mesmos, a fim de que possamos mais profundamente auxiliar e educar.”


4. Pergunta — A Psicologia autoriza sejam adotadas histórias de animais, vegetais e coisas inanimadas que “falam”, etc., para a faixa de idade chamada fase da fantasia (até os 6 anos, aproximadamente). Perguntamos: a) Nas E. E. E., o emprego deste recurso psicológico é perfeitamente justo? b) ou nas E. E. E., embora características psicológicas justifiquem, este recurso deve ser evitado?

Resposta — “Cremos que os orientadores espíritas das Escolas Espíritas de Evangelização devem efetuar rigorosa triagem nos recursos mentais que serão administrados à criança, suprimindo quaisquer apontamentos tendentes a acalentar fanatismo ou superstição no ânimo infantil. Nesse aspecto do assunto, as ficções compreensíveis e naturais na chamada fase da fantasia exigem a seleção necessária, entendendo-se que é sempre aconselhável fornecer a realidade ao espírito da criança, na dose adequada às circunstâncias. Não podemos esquecer que é necessário preparar os pais e mães, mentores e servidores de amanhã para a fé raciocinada que a Doutrina Espírita preconiza.”


5. Pergunta — Estamos com o objetivo de, nas E. E. E., programar atividades de trabalho compatíveis para crianças de até 11, 12 anos, mas estamos achando difícil. Será conveniente insistir? Haverá meios de se contornar as dificuldades psicológicas?

Resposta — “Estudo e trabalho são apoios indispensáveis à educação e que todos nós, criaturas em evolução e regeneração, precisamos receber, desde cedo.”


6. Pergunta — Há certas histórias muito bem engendradas e atraentes, portadoras de belas mensagens educativas, mas que, em certos trechos do enredo, ou mesmo no desfecho (“A galinha ruiva”, por exemplo), são absurdos ou anti-cristãos. Podem ser ministradas “ipsis literis”, embora se expliquem os erros depois? Podem ser ministradas desde que se acrescentem fórmulas cristãs, respeitando-lhes o enredo? Podem ser ministradas se o enredo ou desfecho for adaptado?

Resposta — “Em matéria de alimento espiritual, é nosso dever sustentar a limpeza dos recursos em serviço. Na refeição comum, determinado prato serve e não serve. Os orientadores espíritas dispõem fartamente de provisões edificantes para a instrução dos pequeninos, sem necessidade de recorrer a elementos outros, incompatíveis com a obra de elevação que abraçaram.”


7. Pergunta — Será que uma E. E. E. de uma entidade espírita corre o risco de prejudicar demais a formação do caráter das crianças, se os orientadores deixarem de observar para consigo mesmos certos requisitos como: cumprimento de horários, preparação criteriosa das aulas, assiduidade, etc.?

Resposta — “Perfeitamente. A primeira cartilha da criança, na escola da vida, é o exemplo dos adultos que a cercam.”


.Bezerra de Menezes



(Transcrita da Revista “O Médium”, janeiro de 1965, Juiz de Fora, MG. Fonte: “O Espírita Mineiro”, números 111/112, abril /maio de 1965.)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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