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Cartas de uma morta — Maria João de Deus ©

 

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Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida

 

(1) Num ambiente de elevada Esfera fluídica

(2) O lúcido mensageiro do Senhor

(3) Pela obra grandiosa da restauração das crenças puras

(4) A missão consoladora dos Espíritos na Terra.

1. Pareceu-me que eu havia concluído um curso de preparação na vida errática, porque, naquele dia, fui levada por amorosos e devotados guias a um local maravilhoso pela sua amplitude e beleza.

Tratava-se de uma Esfera fluídica, comparando-se as matérias delicadas de sua constituição com os elementos grosseiros, característicos da Terra. Uma vasta superfície, como um campo divino, tínhamos sob os nossos olhos; a claridade, que se espalhava, iluminando-o, era abundante, mas não ofuscava, de forma que, sobre as nossas frontes, víamos o zimbório celeste, recamado de estrelas tremeluzindo… Mais me impressionavam porém as flores estranhas, de bizarros contornos, que espargiam no ambiente um capitoso aroma…

 


 

O lúcido mensageiro do Senhor

 

2. Parecia que nos achávamos num templo maravilhoso do Infinito, sem limites nos portentos de sua grandeza. Elementos de vida penetravam profusamente em nosso ser, enchendo-nos de uma deliciosa sensação de bem-estar agradabilíssimo.

Verdadeira multidão de almas ali se conservava, quando, numa graciosa elevação da substância que constituía a superfície desse orbe, como se fora um cômoro de névoas opalinas, materializou-se um dos mais lúcidos mensageiros do Senhor, que já me foi dado ouvir na existência do Além-Túmulo.

Uma túnica delicada e leve, à maneira romana, caía-lhe dos ombros, mas o que sobremaneira nos encantava era o extraordinário poder atrativo que se irradiava de toda a sua personalidade.

As suas palavras derramavam-se nas nossas almas, como bálsamos deliciosos, tal a profundeza do seu ensinamento aliada à mais encantadora magia.

 


 

Pela obra grandiosa da restauração das crenças puras

 

3. Não me é possível reproduzir com fidelidade absoluta tudo quanto escapou dos seus lábios, apenas, nas minhas expressões grosseiras, posso sintetizar a moral da sua inesquecível preleção:

— “Irmãos, — iniciou ele, — em vossas experiências nos Planos da erraticidade, compreendestes como são fugazes as ilusões do mundo físico!… Felizmente já vos despojastes do corpo de impressões materiais, que conserváveis dentro das lembranças nocivas daquilo que, em sua maior parte, constituía o lado prejudicial da vossa existência passada. Repousastes no fim de labutas insanas e penosos trabalhos, reconstituindo o vosso organismo espiritual, combalido nas lutas.

“Agora faz-se preciso que vos reergais para as tarefas dignificadoras! Na face longínqua da Terra estão ainda, sonhando e padecendo aqueles que amastes; na superfície desse orbe distante, lutam os homens, obcecados pelo orgulho e pela impenitência. Lá, todo um campo ilimitado de trabalhos se desdobra às vossas vistas. Guerras destruidoras, sentimentos aviltantes, corações aflitos, coletividades sofredoras, trabalhadas pelas mais duras privações, leis absurdas, ignorância, martírio, insânias, tudo se confunde, esperando a luz espiritual.

“Os homens têm lutado muitos séculos procurando a verdade, onde ela não se pode encontrar. Um dia lhes foi dado contemplar a face luminosa do Divino Plenipotenciário. Houve regeneração parcial dos abusos que se perpetravam e observou-se grande argumento da civilização. As criaturas humanas, porém, esqueceram muito depressa o Sublime Enviado. Os abusos de toda espécie reapareceram; a verdade foi obscurecida e o erro se restabeleceu no mundo.

“Os homens, no seu afã de saber, criaram então as filosofias e as ciências, as quais, contudo, não podem ir além da matéria, em sua expressão mais grosseira. No orbe terreno, pois, verifica-se atualmente o eclipse das luzes espirituais.

“Cabe-nos operar o movimento grandioso de restauração das crenças puras. Voltemo-nos para o solo ingrato daquele mundo de experiências e provas, onde o pão, que nutre o corpo, se mistura com os prantos amargosos das almas.

“Trabalhemos! Levantemos as criaturas humanas da sua inércia moral. Verifiquemos a nossa ação sob as vistas amoráveis daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida…”

 


 

A missão consoladora dos Espíritos na Terra

 

4. Mas, nesse momento, houve naquela maravilhosa preleção, estranho “staccato”. Um relâmpago indescritível, esplêndido na sua beleza e silêncio, iluminou as profundezas do Ilimitado. Eu não saberia contar o que se passou então; um sentimento intraduzível de êxtase e veneração se apoderou de nossas almas fazendo-nos curvar, cheios de compunção e de lágrimas.

Todos os Espíritos, que ali se confraternizavam, sentiram como eu, nessa hora, uma energia nova e, sem saber relatar o que se passara, adquiríramos uma força que não possuíamos, uma estranha iluminação, fazendo-nos volver a superfície da Terra, para a qual trazemos à missão consoladora.

Desde esse instante integramos às fileiras dos que pugnam pelo aparecimento de uma nova era para a humanidade e, laborando ao lado de todos quantos se experimentam sob o aguilhão da carne, esclarecendo-os e confortando-os, de forma indireta, sem que sintam de maneira tangível a influência de nossa ação, nós queremos dizer a todos os homens como nos foi dito, naquele inenarrável momento:

— Sigamos a Jesus!… Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida!

E que o Celeste Enviado, na sua infinita misericórdia, faça cair em todos os corações a luz maravilhosa do divino relâmpago do seu amor.

 

.Maria João de .Deus

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.