Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartas do Alto — Autores diversos


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Falando ao Brasil

1 Fim do milênio. Anoitece.
No fulvo céu do Oriente,
A sombra avança envolvente,
Surgem sinistros bulcões;
No alto, lampejam raios,
O ódio se descortina,
Lembrando cinza e ruína,
Tumultos… Gritos… Canhões…


2 Permanece o grande embate:
O direito e a força bruta.
É Sócrates e a cicuta,
Jesus ante Barrabás…
Desde a Suméria distante,
De Ur ao fulgor do Egito,
O mundo rola em conflito,
Ganha a guerra e perde a paz.


3 Agora, porém, na Terra
Sem a fé age a Ciência
Nas grimpas da inteligência
E apoia o estranho festim;
O cérebro — águia cativa,
Obedecendo ao mais forte
Exalta o poder da morte
E aperfeiçoa Caim.


4 No parque dos armamentos,
Bombas de vários matizes
Querem lauréis infelizes
Em máquinas de terror;
Rente ao fogo que dormita,
Escuta-se, a cada hora,
A humanidade que chora
Perante o abismo a transpor.


5 Por isso, Brasil, enquanto
Nas urzes do sofrimento
Sopra o ciclone violento,
Temor e desolação
Levanta o próprio futuro
No trio que te ilumina:
Justiça, escola e oficina
Burilando o coração.


6 Falando aos nossos amigos,
Ante a grandeza que estampas,
Vozes suplicam das campas
Na bênção do eterno Pai:
— Bravos filhos do Cruzeiro,
O tempo não nos espera.
Ante o sol da Nova Era,
Uni-vos e trabalhai!


7 Recordemos a epopeia
Dos antigos bandeirantes,
Conquistadores gigantes,
Plantando o país no chão,
E os nobres inconfidentes
Atormentados, em bando,
Mortos-vivos, mas buscando
A paz da libertação.


8 Ide e criai vida nova
Onde o atrito sobrenade,
Mantendo a fraternidade
Que o vosso gênio produz,
Dizendo a todos os povos,
Na luz que se vos descerra,
Que, em qualquer luta, na Terra
O vencedor é Jesus. n


.Castro Alves




Reformador — Maio de 1982.


[1] Segundo consta do original, o poema foi recebido no Centro Espírita União (CEU), em São Paulo, capital, em 14/10/1981. Nessa mesma reunião festiva, na sede do CEU, onde Chico Xavier lançara dois novos livros, por iniciativa da sua tia-avó Nair Machado Paschoal, Geraldo Lemos Neto, editor da Vinha de Luz Editora, teve a imensa alegria de trabalhar no evento e, ao final, pôde abraçar Chico Xavier pela primeira vez nesta existência, num reencontro inesquecível aos seus corações.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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