Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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A candeia

  1 A sombra desce de manso,

  O silêncio volve aos ninhos,

  É a noite cariciosa

  Que se estende nos caminhos.


  2 Na casa pequena e simples

  Que é refúgio da pobreza,

  É mais densa a escuridão

  Que amortalha a Natureza.


  3 Mas no quadro desolado

  Perpassa a bênção do amor,

  A candeia humilde e rude

  Clareia do velador.


  4 Na sala desguarnecida

  Da morada carinhosa,

  Sua luz mostra a beleza

  De uma estrela generosa.


  5 Aproveita-se-lhe o encanto

  Na esfera da utilidade,

  Mas quase ninguém lhe vê

  O espírito de humildade.


  6 Seu processo de ajudar,

  Nas sombras da noite escura,

  Revela lição sublime

  Ao plano da criatura.


  7 Por servir de fonte calma

  Ao clarão bondoso e amigo,

  Ela queima a provisão

  De tudo que tem consigo.


  8 Consome o óleo, a torcida,

  Perde o brilho, perde a graça,

  Suporta o calor do fogo,

  Sofre o assédio da fumaça.


  9 E guarda, com Deus, a glória

  De haver produzido o bem,

  Sem ferir qualquer pessoa,

  Sem prejuízo a ninguém.


  10 Quem deseje iluminar,

  Proceda como a candeia:

  A si mesmo se ilumine

  Sem reclamar luz alheia.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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