Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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A enchente

  1 O quadro é lindo e imponente

  Na calma da Natureza,

  A massa d’água é mais bela,

  Mais suave a correnteza.


  2 O rio enorme extravasa,

  Conquistando as cercanias,

  Encaminha-se às baixadas,

  Desce às furnas mais sombrias.


  3 A torrente dilatada

  Estende a dominação,

  Refresca e fecunda o solo

  Nas zonas de plantação.


  4 Mas, em haurir-lhe a grandeza,

  Os bens, a virtude, a essência,

  Precisa-se em toda parte

  Muita luta e previdência.


  5 Aterros, diques, cuidados,

  Trabalhos e sacrifícios,

  Todo esforço é necessário

  Por colher-lhe os benefícios.


  6 Sem isso, reduz-se a enchente

  Às grandes devastações,

  Ameaças, lodo e vermes,

  Mosquitos, flagelações.


  7 A abundância generosa

  Foi vista e considerada;

  Entretanto, a imprevidência

  Guarda a lama envenenada.


  8 Reconhecendo a beleza

  Deste símbolo profundo,

  Podemos ver no seu quadro

  Muita gente deste mundo.


  9 O poder, a autoridade,

  A fortuna, a inteligência,

  São enchentes dadivosas

  Da Divina Providência.


  10 Mas, se o homem não vigia,

  É várzea que inspira dó.

  A abundância não lhe deixa

  Mais que lodo, lixo e pó.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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