Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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O pântano

  1 É um quadro sempre inquietante

  Que inspira pena e cuidado,

  Quando vemos no caminho

  O pântano abandonado.


  2 Enquanto, em redor de si,

  Há cantos que a vida entoa,

  Ele espera ansiosamente

  O esforço que aperfeiçoa.


  3 Todo o ar é pestilento

  Em sua fisionomia,

  Nos seus bancos lamacentos,

  Ninguém descansa ou confia.


  4 Muito poucos se aproximam

  Do barro de sua imagem;

  É ferida cancerosa

  No organismo da paisagem.


  5 Mas, um dia, o lavrador

  Dá-lhe atenção, dá-lhe drenos,

  E o pântano desolado

  É o melhor dos seus terrenos.


  7 Onde havia lodo e lama,

  Águas sujas e amargosas,

  Os legumes são mais ricos,

  As flores mais perfumosas.


  7 Essas terras desprezadas,

  Tão pobres e desiguais,

  Ensinam, em toda parte,

  Que Deus é o melhor dos pais.


  8 Entre as quedas dolorosas,

  Nos erros e nos desvios,

  Nós somos, na Criação,

  Pontos tristes e sombrios.


  9 Nossa ideia de virtude,

  A mais bela em sentimento,

  É a que nasce nos monturos

  Da lama do sofrimento.


  10 Deus, porém, que é o Pai Amigo,

  Jamais nos deixou a sós.

  Jesus é o bom lavrador,

  E o pântano somos nós.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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