Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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A erosão

  1 Quem busca na paz do campo

  Os bens da contemplação,

  Costuma encontrar; por vezes,

  As surpresas da erosão.


  2 Dos acumes da paisagem,

  Eis que a visão descortina

  Horizontes luminosos

  Na vastidão peregrina!


  3 Em torno rebentam flores

  Nas folhagens perfumosas,

  Entre as árvores e os ninhos

  Sopram brisas buliçosas.


  4 Misturando-se, à verdura,

  Há caminhos de enxurrada,

  Formando abismos escuros

  Na terra dilacerada.


  5 Em derredor, tudo é glória

  Do campo verde e florido;

  Céu de anil, promessa e luz,

  Mas o solo está ferido.


  6 Somente à custa de esforço,

  De luta excessiva e estranha,

  É possível reparar

  As úlceras da montanha.


  7 É um quadro que faz lembrar

  As almas de grande altura,

  Que, embora a ciência e o brilho,

  Têm abismos de amargura.


  8 São montes iluminados

  De sonho e conhecimento,

  Mas, degradados, por vezes,

  Nos planos do pensamento.


  9 Recebem, da luz de Deus,

  Dons sublimes e infinitos,

  Mas se deixam avassalar

  De enxurradas e detritos.


  10 Quem guarde na intimidade

  Tais feridas de erosão,

  É que vive sem defesa

  Nos campos do coração.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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