Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


44


A lavadura

  1 Pelo bem da roupa limpa

  Não se esqueça a criatura

  Dos serviços que custou

  O esforço da lavadura.


  2 Raramente se recorda,

  Na tarefa rotineira,

  O trabalho, o sacrifício

  Do campo da lavadeira.


  3 Porque; em verdade, a tarefa

  Inclui disciplina e dores,

  Não se lava roupa suja

  Usando perfume e flores.


  4 Por limpar-se no caminho

  Necessário à experiência,

  Não foge à imersão completa

  Nas águas da Providência.


  5 Não dispensa o gosto amargo

  Do concurso do sabão,

  Alijando-se a bagagem

  De sujidade ou carvão.


  6 Passado o atrito da esfrega,

  Que impõe cansaço e aspereza,

  Transporta-se ao coradouro,

  Apurando-se a limpeza.


  7 Depois, é a volta bendita

  À água cariciosa,

  Que atende à saúde humana,

  Com bênçãos de mãe bondosa.


  8 Qualquer recurso ao lavar,

  Com sabão ou corrosivo,

  Requisita paciência,

  Vigilância e esforço ativo.


  9 O serviço dessa ordem

  Faz lembrar ao pensamento

  A lavadura precisa

  Às roupas do sentimento.


  10 Vivamos tranquilamente,

  Sem olvidar, entretanto,

  Que nossa alma necessita

  Lavar-se em suor e pranto.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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