Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


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O mármore

  1 No gabinete isolado

  Dos serviços de escultura,

  Há muita coisa que ver

  Com a vida da criatura.


  2 O mármore chega em bloco

  Dos centros da Natureza,

  Em trânsito para o campo

  Do espírito e da beleza.


  3 É pedra, vai ser tesouro;

  É rude, vai ser divino;

  Todavia, não se sabe

  Quando chega ao seu destino.


  4 Golpe aqui, golpe acolá,

  O artista começa a luta,

  É o sonho maravilhoso

  Amando a matéria bruta.


  5 As arestas vão caindo…

  É a carícia do martelo

  Desponta o primeiro traço

  Vigoroso, firme e belo.


  6 O cinzel fere e desbasta,

  E, às vezes, pede o formão.

  O artista prossegue atento

  Dando vida à criação.


  7 Golpes fundos, ferimentos…

  Mas, eis quando se aproxima

  O termo do esforço longo

  Na aquisição da obra prima.


  8 Depois, é a joia formosa,

  De valor alto e profundo,

  Que as fortunas de milhões

  Não podem fazer no mundo.


  9 Esse mármore da Terra,

  No fundo, é qualquer pessoa,

  O artista é o tempo, e o cinzel,

  A luta que aperfeiçoa.


  10 Quando os golpes de amargura

  Te cortarem o coração,

  Recorda o cinzel divino

  Que dá forma e perfeição.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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