Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


21


A cangalha

  1 Nos círculos de serviço,

  Toda a gente que trabalha

  Nem sempre sabe entender

  A nobreza da cangalha.


  2 Não fosse ela, entretanto,

  Que atende, promete e faz,

  E talvez o campo inteiro

  Viveria estranho à paz.


  3 Convenhamos na prudência

  Que vem do rifão de antanho

  Basta, às vezes, uma ovelha

  Para perder o rebanho.


  4 O muar deseducado,

  Que a força brutal anime,

  Nunca perde ensejo ao coice

  E está sempre pronto ao crime.


  5 Vive ao léu, ameaçando

  A golpes de grosseria;

  Aparentando brandura,

  Transborda selvageria.


  6 Transforma-se, comumente,

  No animal rude e vilão,

  Que se esquiva do trabalho,

  Por preguiçoso e ladrão.


  7 Todavia, chega o instante

  Em que a cangalha, bondosa,

  Comparece orientando,

  Honesta, laboriosa.


  8 Ligada por laço forte

  Ao amigo da indolência,

  Dá-lhe os bens da utilidade

  Em luzes de experiência.


  9 Perguntemos a nós mesmos,

  Notando-a, modesta e bela,

  Quais os homens deste mundo

  Que podem viver sem ela.


  10 O dever, como a cangalha,

  Que tanta grandeza encerra,

  É a balança de equilíbrio

  Nas vidas de toda a Terra.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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