Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartas do Evangelho e outros poemas — Casimiro Cunha — 1ª Parte


18


Carta aos enfermos

  1 Meu amigo, eu te desejo

  Aquela paz do Senhor

  Que transforma as amarguras

  Em santas preces de amor.


  2 Nosso Pai ouve a oração

  De tua grande ansiedade,

  Como te vê no caminho

  De dor e dificuldade.


  3 Espera serenamente

  Não obstante a aflição;

  Deus é um Pai que não dá pedras

  Ao filho que pede pão.


  4 Nos dias angustiados

  De desencanto e doença,

  O homem deve apurar

  As luzes de sua crença.


  5 Às vezes, chorando:

  — “Socorrei-me Senhor!…

  Ai! como tarda o consolo

  No dia, de minha dor!…”


  6 Mas, não lembraste a oração

  Com tanta solicitude

  Nas horas irrefletidas

  Em que arruinaste a saúde.


  7 A incontinência teimosa

  Na rebeldia e no gozo,

  Pode ter vindo de outrora,

  Do passado tenebroso.


  8 Porque esta vida de agora

  É somente uma fração

  De teu trabalho à procura

  Dos mundos da perfeição.


  9 Nos teus ais, nos teus soluços,

  Do corpo dilacerado,

  Recorda que a dor existe

  Para a luz de um fim sagrado.


  10 Se teu mal é longo e rude,

  Renovando-te aflições

  Ele é a válvula divina

  Que escoa as imperfeições.


  11 Se a moléstia é passageira,

  Tem cuidado na existência

  A dor física, por vezes,

  Não passa de advertência.


  12 De qualquer forma, porém,

  Sê paciente e sê forte,

  Inda que sintas contigo

  O augúrio triste da morte.


  13 Acima dos preparados

  Que visam a tua cura,

  Põe o remédio divino

  Da fé milagrosa e pura.


  14 Abençoa, meu irmão,

  Essa dor que te conduz

  Da sombra espessa da Terra

  Para as bênçãos de Jesus.


Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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