Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Caridade — Autores diversos


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Mãe sozinha

  1 Dizem “mulher da alegria”,

  Quando ela passa na rua;

  A pobre mãe continua,

  Os olhos fitos no chão!…

  Quanto fel, quanta agonia

  Nessa mulher que condenas!…

  Ninguém lhe conhece as penas

  Cravadas no coração.


    2 Tristeza no desconforto,

    Sem palavra que a revele,

    Trapos dourados na pele,

    Traz a angústia por dever.

    Viúva de um vivo morto,

    Ei-la que segue sozinha,

    Tem ao longe, a pobrezinha,

    Um filho quase a morrer.


  3 Já bateu a tanta porta,

  Já pediu a tanta gente!…

  Dói-lhe a ferida pungente

  De ter sido mãe sem lar;

  Abatida, semimorta,

  Apenas vê no caminho

  A febre e a dor do filhinho

  Que a morte lhe quer roubar.


    4 Tu que cresceste na estrada,

    Desde o berço de ouro e rendas,

    Entre mimos e oferendas

    De paz, segurança e luz,

    Fita essa mãe desolada,

    Na penúria que a consome…

    Talvez que ela tenha fome

    Ao peso da própria cruz.


  5 Não lhe zombes da amargura,

  Também foi criança, um dia,

  Brincava, estudava e ria,

  Rosa ao fulgor da manhã;

  Também foi bela e foi pura,

  Hoje, nas mágoas que trilha,

  Podia ser nossa filha

  Assim como é nossa irmã.


    6 Mãe na dor!… Bendita seja!…

    Escrava de toda hora,

    Honra as lágrimas que chora,

    Nas dores por onde vai!…

    Sem esposo que a proteja,

    Sem arrimo, sem tutela,

    Em Deus que sofre com ela

    Encontra a Bênção de Pai.


.Irene Souza Pinto


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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