Bible of the WayBíblia do Caminho  † Xavierian TestamentTestamento Xavieriano

Índice Página inicial Próximo Capítulo

Caminhos do amor — Maria Dolores

 

25

 

Página às mães

  1 Mães queridas,

  Vós que perdestes filhos bem-amados

  Somando tantas vidas

  A que destes carinhos e cuidados,

  De que só Deus na vida sabe a conta;

 

  2 Mães, cuja imensa dor não se confronta,

  Com qualquer sofrimento que há no mundo

  Por mais rude e profundo,

  Quisera amenizar-vos as feridas,

  Que vos fizeram contundidas,

  Súplices, desoladas, semimortas…

 

  3 Entretanto, ai de mim!…

  Com que verbo, meu Deus, poderia expressar

  A dor que vos desfez a ventura do lar?

  Como suprimiria

  A sombra que vos guarda a suprema agonia?

  De que modo afastar de vossa mente

  Esses quadros cruéis que desenhais,

  Manejando o pincel de angústia e espanto

  Que umedeceis no fel de vosso pranto,

  A dizer: “Nunca mais…?”

 

  4 Entretanto, essas vidas juvenis

  Seguem o sofrimento que sentis,

  Choram com vossas lágrimas, padecem

  Com a vossa mesma dor de que nunca se esquecem…

  E rogam-vos consolo, paz, alegria e esperança,

  Pedindo-vos trazê-los na memória,

  Como quem atingindo os louros da vitória,

  Desejam ser lembrados como são:

  Espíritos valentes,

  Prosseguindo contentes

  No sublime ideal de elevação…

 

  5 Enxugai vosso pranto

  E, servindo, esperai

  O reencontro feliz nas moradas do Pai…

 

  6 Padecendo, chorando e amando sempre,

  Aguardai outros dias

  Em que renascereis de novas alegrias,

  Sem o gelo terrível da saudade

  De vossa longa espera

  E sim na Inalterável Primavera

  Ante o amor sem adeus da Eternidade.

 

  7 Lembrar-vos-ei, porém,

  Aquela antiga história de Belém… (Lc)

  Uma doce criança

  Nasceu entre cantigas de esperança,

  De uma frágil mulher quase menina…

  Uma estrela no Azul, em altos resplendores,

  Indicou-lhe a missão, fulgurante e divina.

  Anjos do Céu uniram se aos pastores

  E entoaram louvores

  Que em toda a Terra ainda não se ouvira…

  O menino cresceu, plantando amor,

  Amparava os humildes e os cansados,

  Levantava os doentes,

  Erguia corações desesperados

  E transformava os homens inclementes

  Em modelos de paz e de brandura,

  Era um jovem trazendo a grandeza da Altura,

  Referindo-se a Deus por Pai de Infinita Bondade,

  Que nunca abandonou a Humanidade…

 

  8 Pois, simplesmente porque amasse a todos,

  Foi perseguido, preso, injuriado,

  Depois levado à cruz

  Em que morreu crucificado

  Perante a multidão…

  Foi assim que Jesus,

  Sem amigos, na dor do último dia,

  Teve somente o amparo de Maria,

  A mãe humilde que o seguiu de perto…

  Heroína de amor e aceitação,

  Não censurou ninguém.

  De alma cansada e coração deserto,

  Ela apenas chorou na bênção da oração,

  Entregando-se a Deus

  O Eterno Sol do Bem.

 

  9 Embora a imensa dor, sempre ungida de fé,

  A pobre mãe de Nazaré,

  Esperou silenciando a alma ferida

  Até que o filho amado,

  Em retornando à vida,

  Fez-se o ressuscitado,

  E novamente erguendo corações,

  Converteu-se no Guia das Nações.

 

  10 Mães, que hoje sofreis, lembrai-vos dela,

  Maria ser-vos-á consolação;

  Entregai-lhe a amargura ao coração

  E entendereis que os vossos filhos,

  Joias de vossa luz,

  Agora sob a névoa da saudade,

  Ante o Anjo de Amor da Humanidade,

  São irmãos de Jesus.

 

.Maria Dolores

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

 

.

D
W