Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Chico Xavier e suas mensagens no Anuário Espírita — Autores diversos ©


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Vida e amor

  1 São dois corações fraternos

  Que se fitam encantados,

  Dizem amigos em torno

  Que eles já são namorados.


  2 Permutam palavras lindas

  Trocam pétalas douradas,

  Passeiam, todas as noites,

  Beijando-se nas estradas.


  3 Lembram fatos, contam casos

  Da mais diversa expressão,

  São felizes, a contento;

  Anunciam-se em noivado

  E combinam casamento.

  4 O enlace foi realizado,

  Segundo normas antigas,

  Preces, doces e presentes,

  Em meio a vozes amigas.


  5 Juntos agora sorriem,

  Resguardando a luz da paz,

  Pois, fazem o que desejam

  Buscando o que lhes apraz.


  6 Findos, porém, poucos meses,

  Chega o tempo de fastio,

  Ela mostra a face triste,

  Ele tem o olhar sombrio.


  7 Quando ele chega, ela diz:

  — Abre o teu rosto fechado!

  Ele fala: — Se eu tivesse refletido,

  Jamais teria casado.


  8 E o casal vive em silêncio,

  Sofrendo amarga tensão,

  Ao invés de procurar

  A própria conciliação.


  9 Trocavam palavras feias

  Arrufos, queixas, conflitos,

  Quanto mais corria o tempo,

  Mostravam-se mais aflitos.


  10 Queriam que o mundo fosse

  Belo jardim, mas não é…

  Declaravam-se quais ateus,

  Entretanto, resguardavam

  Migalhas da própria fé.


  11 Surgiu momento mais triste.

  Alegou que o chefe, o doutor Matias,

  Pediu-lhe abnegação

  De viajar por três dias.

  Era assunto de seu cargo!…

  A esposa lançou protesto,

  Mostrando um sorriso amargo.


  12 Ele se ergueu e exclamou:

  — Minha vida fez-se um osso,

  Nisso, uma serva avisou:

  — Tudo pronto para o almoço.


  13 Logo após, ele fez-se ausente

  Para cumprir o dever.

  A esposa recusou a despedida,

  Não sabia o que fazer.


  14 Depois da ausência, ei-lo de volta.

  Entrou em casa devagarinho,

  No quarto, notou a esposa

  Vestindo um pequenininho…


  15 Ao vê-lo exclamou, contente:

  — Nasceu nosso filho amado…

  Ele abraçou-a cortês,

  Em seguida, pôs-se de lado.


  16 Contemplava o pequenino,

  Como quem pensa e compara,

  Que mostrou nos sinais dele,

  A cópia da própria cara.


  17 Disse alegre: — “Minha flor,

  Ele terá meu carinho,

  Agora já temos em casa,

  Nosso esperado filhinho!”


  18 Beijou a senhora em pranto,

  Perdendo o jeito tristonho;

  Unidos ante n o recém-nato,

  Fitando os mantos seus,

  Abraçaram-se felizes,

  Rendendo graças a Deus.


  19 Contei esta história longa,

  Em que o amor se descerra,

  Para dizer que a família

  É a Bênção Maior da Terra.


  20 Primeiro veio a vontade

  E a atração a se interpor;

  Diz que acima da amizade

  É que brilha a luz do amor.


Antenor Horta



(Anuário Espírita 1993)


[1] No original: até.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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