| 1 Não era mais o lume de Aladino
Que trazia na mão dorida e pasma,
Era a tremura de um doente de asma,
Ouvindo, inerme, o choro do destino.
2 O leito igual ao chão de lodo e miasma
Fez-se lousa de gelo em Sol a pino…
Quero gritar em vão, quanto um menino,
Amedrontado à sombra de um fantasma.
3 Divago. Embalde movo os lábios perros.
Varo — errante viajor — impérvios serros…
Meu sonho é um velho cão ladrando à lua…
4 Tudo — silêncio pálido de esfinge… n
É o nada… A dor do nada que me atinge
Mal sabendo que a vida continua… |
Antônio Joaquim PEREIRA DA SILVA — No Rio de Janeiro, Pereira da Silva foi aluno do Liceu de Artes e Ofícios, ingressando, depois, na Escola Militar. Transferido, mais tarde, para o Estado do Paraná, aí se tornou dedicado amigo de Dario Veloso e de outros poetas da sua estirpe. Deixando o Exército, voltou ao Rio. Estudou Direito e aderiu ao grupo simbolista da Rosa-Cruz. Foi redator da Cidade do Rio, colaborando em outras publicações da imprensa carioca, como crítico literário. Em 1933 ingressou na Academia Brasileira de Letras, cadeira n° 18. Luís Murat considerou Pereira da Silva um dos maiores poetas da sua geração, “homem que possui uma grande cultura, a par de uma grande inspiração” (apud Pereira da Silva, Beatitudes, pág. 228). (Araruna, Serra da Borborema, Paraíba, 9 de Novembro de 1876 — Rio de Janeiro, Gb, 11 de Janeiro de 1944.)
BIBLIOGRAFIA: Væ Soli!; Solitudes; O Pó das Sandálias; Alta Noite; etc.
Nota. Observe-se a frequência com que o poeta usa o vocábulo pálido e seus cognatos. No soneto “À minha mãe” (apud Pan. IV, pág. 117), o último terceto, por exemplo:
“E me atirando uma porção de lírios
Transfigurou-se pálida e apiedada
Dos meus soluços e dos meus Martírios…
Cf., ainda, a 2ª estrofe de “Sóror Mágoa” (apud Op. cit., pág. 118). Na 4ª estância desse poema, encontramos isto:
“Como se ajusta bem a palidez à fome
E o tédio ao dissabor do espírito de alguém.”
Interessante, também, o último terceto de “Sol poente” (apud Op. cit., pág. 119).
[1] As poesias de números ímpares foram recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier e as de números pares pelo médium Waldo Vieira. Dispomo-las assim, por sugestão dos Amigos Espirituais.