| 1 Noite. Retorno à Terra. Entre os aflitos
Que a luta impele aos últimos degraus,
Sinto a perturbação que envolve o caos
E a exalação de todos os detritos. n
2 Entre o mundo e meu pranto, a sós, vagueio,
Na torva indagação que me constringe.
A vida é aterradora e imensa esfinge
No horror que me tortura de permeio.
3 Ao coro estranho de sinistros ventos,
Ergue-se a angústia num milhão de vozes…
Do choro mudo a imprecações ferozes,
Há turbilhões de trágicos lamentos.
4 Paixões embatem com medonha fúria.
O fel da provação verte sem peias…
O homem é como alguém que abrindo as veias
Tenta fugir debalde à carne espúria.
5 Em toda a parte, a dor comprime o cerco,
E os que dormem, quais míseros cativos,
Assemelham-se a tristes mortos-vivos,
Agonizando em túmulos de esterco.
6 Acorrentada entre os horrendos muros
Dos seus próprios grilhões imanifestos,
A Humanidade escuta os vãos protestos
Dos sonhos que morreram nascituros…
7 Mas, dissipando a sombra por rompê-la,
Na gleba que de lodo se engalana,
Como sinal de Deus na furna humana,
Surge sublime e resplendente estrela. n
8 Há nova luz de amor que tudo invade.
E percebo, no pântano entrevisto,
Que a redenção virá, brilhando em Cristo,
Ante o Divino Sol da caridade. |