| 1 Atravessara, aflito, os umbrais do outro mundo
E, ao erguer-se da lousa, exânime, febrento,
No sepulcro imagina o suntuoso aposento
Onde, a sós, afagava o tesouro infecundo.
2 — “Meu dinheiro!” — reclama, exasperado e atento.
“Ouro! Meu ouro só! Por nada me confundo! n
Ladrões! Quem me furtou?” — esbraveja iracundo
Em largo desafio aos sarcasmos do vento.
3 Ouve o silêncio em torno e ruge: — “Agora, agora! n
Achei meu cofre! Achei!…” — gargalha, grita, chora, n
Na homérica ilusão que ele mesmo proclama…
4 Inclina-se. Algo colhe e, em delírio perfeito,
Investe contra a sombra e aperta contra o peito n
Velha tampa de esquife empastada de lama. |