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Antologia dos Imortais — Autores diversos — 2ª Parte ©

 

33

 

Anônimo

 

AQUI E AÍ

  1 Vento gelado dá beijos traiçoeiros

  Na face contraída do mundo

  Com lábios de cadáveres insepultos.

  As folhas do arvoredo, tiritantes de frio,

  Sussurram gemidos lassos…

  Os insetos enrouqueceram…

  Trino cavo de pássaro doente

  Dissoa tristura pelo espaço…

  A Natureza hiberna no frigorífico da terra.

 

  2 Aqui, no homem sem corpo,  n 

  As algemas agrilhoantes do destino

  Enroscam-se à mente sufocada.

  Quanta aflição nas celas dos remorsos!

  Coroa de espinhos

  Dos atos que não foram feitos…

  Galopeia o pensamento!

 

  3 Aí, dos bastidores do silêncio,

  Debulha a melodia mental

  Galgando as montanhas de ar,

  E fende as cinzas do céu…

  Há revérberos de sorrisos

  Chuviscando na amplidão!

  Arco-íris em noite escura…

  Primavera na invernia…

 

  4 Chora perdão o Espírito amparado…

  Gêiser de fé esfervilhando sensações,

  Age a prece do bom

  Entrando, em triunfo de amor,

  Na Cidade dos Injustos…  n 

 


 

Nota. Embora sob o manto do anonimato, registamos aqui a presença de grande poeta modernista.

 


[1] homem sem corpo, isto é, sem corpo carnal.

[2] Cidade dos Injustos: o Umbral.

 

(Psicografia de Waldo Vieira)

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.