| 1 A alma clamou cansada ao corpo, um dia:
— “Porque me prendes, barro vil e escuro?
Quem te sustenta por lodoso muro,
Acalentando a noite que me espia?
2 Quem te mandou, algema da agonia,
Escravizar-me o sonho vivo e puro?
Quem te criou, cadeia de monturo,
Excitando-me a dor e a rebeldia?”
3 E o corpo respondeu, calmo e sublime:
— “Eu sou, na Terra, a cruz que te redime,
Não me interpretes por sinistra grade…
4 Deus modelou-me lâmpada de lodo, n
Na qual és chama do Divino Todo
Para fulgir além, na Eternidade…” n |