| 1 Ninguém te ouviu a prece de esperança,
Quando entregaste ao berço, de mansinho,
Meu pobre coração de passarinho
Engastado no corpo de criança. n
2 Calado herói do bem que não descansa,
Tanta vez a lutar, mudo e sozinho,
Ninguém te enxerga o pranto de carinho
Com que me guardas vivo na lembrança.
3 É por isso, meu pai, que dia a dia
Varo a senda da névoa espessa e fria,
Que o sepulcro de lágrimas nos junca,
4 Para ofertar-te, ao peito brando e forte,
A certeza da vida além da morte,
Na luz do Amor que não se apaga nunca. |