| 1 Encarcerado, enfim, nas grades da memória,
Tudo tresanda em mim o sinistro bafio
Da torva escuridão a que me sentencio,
Na câmara de fel da sombra merencória.
2 Mocidade, ilusão, tudo é lodo e vanglória
Esbarrando na morte — horrendo desafio:
Para a descida ao caos ignoto, imenso, frio,
E ser lama pensante, escória sob a escória.
3 Ó minhalma infeliz, porque assim te sublevas? n
Corvo triste da mágoa a crocitar nas trevas, n
Volve em prece a dormir na paz inerme do ovo!
4 Sepulta, coração, no tremedal medonho,
A aflição derradeira e o derradeiro sonho n
Para tudo esquecer e começar de novo! |