Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Antologia da Espiritualidade — Maria Dolores


22

Sempre coração

1 Para exaltar a glória da bondade,
Não digas, alma irmã, que nada tens.
De gota a gota, o mar se consolida
E, migalha em migalha, a grandeza da vida
É um mar excelso de infinitos bens.


2 Caridade recorda a Natureza
Que na bênção de Deus se concebe e aglutina,
Revelando no todo,
Da cúpula do céu, às entranhas do lodo,
Que a presença do amor é sempre luz divina.


3 A bolsa generosa em socorro fraterno
Lembra o sol a servir, tanto quanto fulgura,
Mas o vintém doado em auxílio a quem chora
É o copo de água pura à sede que devora,
A solidariedade em forma de ternura.


4 A fortuna em serviço é a usina poderosa
Da civilização na força que lhe empresta,
Garantindo o progresso, a cultura e a beleza,
Mas da espiga singela é que o pão vem à mesa,
E da semente humilde é que nasce a floresta.


5 O prato, o cobertor, a roupa restaurada,
Um traço de carinho em amparo de alguém,
Podem ser, alma irmã, o complemento justo,
Para que se nos faça o regresso sem custo
Ao campo de trabalho e à integração no bem.


6 Nunca fales “não tenho” e nem digas “não posso”,
Traze ao louvor do bem o braço amigo e irmão,
Um sorriso a quem passa ao vento e ao desalinho,
Uma flor de esperança às pedras do caminho,
Que a caridade, em tudo, é sempre coração.


Maria Dolores


Texto extraído da 1ª edição desse livro.

.

Abrir