Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Assembleia de Luz — Autores diversos


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Cantoria do adolescente

1 Muito difícil expor

Este assunto diferente;

Mas os mentores insistem,

Não posso ser renitente.

Na Terra de hoje é grande

A luta do adolescente.


  2 Há muitas acusações

  Em torno da petizada,

  Muitos lhe notam abusos

  No lar, na rua, na estrada,

  E eis que um nome se lhe atira:

  “Juventude transviada”.


3 De fato, a muitos excessos

A gente verde se lança,

Mas não se pode arredar

De nossa própria lembrança

Que a puberdade revela

O que colheu em criança.


  4 Antigamente se viam

  Meninas e rapazolas

  Depois do trabalho em casa,

  Entre petecas e bolas,

  Livros, cadernos e lousas,

  Lições, deveres, escolas.


5 Aos sábados e domingos,

Sempre na trilha dos pais,

Tinham passeios no campo,

Alguns folguedos a mais,

Visitas às goiabeiras,

Distrações nos laranjais.


  6 Entretanto, atualmente,

  Pelo “sim” ou pelo “não”,

  Em qualquer parte da Terra,

  É grande a transformação;

  Desde cedo, a criançada

  Está na televisão.


7 Os pequeninos atentos,

Seja na rua ou no lar,

Registram quadros tremendos,

Assuntos de arrepiar,

Assaltos, crimes e furtos,

E tocam a perguntar…


  8 Querem saber sobre sexo,

  Em todo e qualquer artigo;

  Muitos adultos se ausentam,

  Temendo entrar em perigo…

  Papai diz: “Não tenho tempo”.

  Diz mamãe: “Depois eu digo”.


9 Os pais, coitados, nem contam

As horas que o dia tem,

Necessitam trabalhar

No ritmo de vaivém,

Precisam pagar colégio,

Farmácia, gás, armazém…


  10 Os meninos vão à rua

  Para o que der e vier;

  Procuram experiência,

  Interpelando a qualquer;

  Cegonhas e carochinhas

  São casos que ninguém quer.


11 Nos fatos mais escabrosos,

A meninada se aguenta,

A turma toda se gasta

Na atividade violenta;

Aos doze anos, já sabe

O que aprendi nos quarenta.


  12 Eu sei que há milhões de jovens

  Honrando o próprio dever,

  Falo aqui, unicamente,

  Dos que só querem prazer

  E chegam aos vinte anos

  Pedindo para morrer.


13 Esses verdes companheiros

Sem controles e sem contas

Parecem fazer da vida

Uma vela acesa, às tontas,

A consumir-se apressada

No fogo de duas pontas.


  14 Qual a Terra de amanhã?

  Pergunto comigo a sós.

  Responda quem tenha vez

  E muito peito na voz;

  Só peço a Deus que nos guarde

  Com pena de todos nós.


Leandro Gomes de Barros



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