Bíblia do Caminho Testamento Kardequiano

Revista espírita — Ano X — Agosto de 1867

(Édition Française)

VARIEDADES


O Imã, grão-capelão do Sultão

“Sábado (6 de julho) — diz a Presse — o imã ou grão-capelão do sultão, Hairoulah-Effendi, fez uma visita ao monsenhor Chigi, núncio apostólico, e ao monsenhor arcebispo de Paris.”

A viagem do sultão a Paris é mais que um acontecimento político, é um sinal dos tempos, o prelúdio do desaparecimento dos preconceitos religiosos que por tanto tempo levantaram uma barreira entre os povos e ensanguentaram o mundo. Vindo o sucessor de Maomé, de sua livre-vontade, visitar um país cristão, fraternizando com um soberano cristão, teria sido, de sua parte e não há muito tempo, um ato audacioso. Hoje o fato parece muito natural. O que é ainda mais significativo é a visita do Imã, seu grão-capelão, aos chefes da Igreja. A iniciativa que tomou nessa circunstância, já que o cerimonial a isto não o obrigava, é uma prova do progresso das ideias. Os ódios religiosos são anomalias no século em que estamos, e é de bom augúrio para o futuro ver um dos príncipes da religião muçulmana dar o exemplo de tolerância e abjurar as prevenções seculares.

Uma das consequências do progresso moral será certamente um dia a unificação das crenças; ela ocorrerá quando os diferentes cultos reconhecerem que há um só Deus para todos os homens, e que é absurdo e indigno d’Ele lançar-se anátemas por não se O adorar da mesma maneira.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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