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Revista espírita — Ano V — Outubro de 1862 ©

(Édition Française)

 

POESIAS ESPÍRITAS

 

A abóbora e a sensitiva

 

Fábula

 

Dize qual o teu regime, ó pobre sensitiva?

A abóbora indagava a uma pequena flor,

Por que manter-te assim qual se não fosses viva?

Falo-te com muita dor,

A sensibilidade estiola-te; e enfraquece;

Bem antes morrerás do fim desta estação;

Quando, fugindo o sol no horizonte escurece

Murcharem-se verás tuas folhas então:

Um fatal estremecimento

O teu caule percorre ante a brisa a roçar;

Fazendo a crise então chegar;

A vida então é-te um tormento.

E por que tanta pena e tal solicitude?

Seja pois meu exemplo uma terna quietude.

O que se passa em mim, pois não,

Causar-me não me custa a mais leve emoção;

De bem me sustentar faço minha virtude,

Que importa, pois, em meu temperamento,

Os mistérios do céu? – Do dia o esplendor,

Da noite a escuridão, a umidade, o calor

Tudo convém ao meu intento.

Minha forma redonda às vezes, é verdade,

Induz o observador satírico e cruel

Em murmúrio dizer: “A abóbora é nulidade!”

Porém tal trato não me é fel;

Sobre o meu leito nutro-me e, em riso, me rolo

Para inveja causar, pousando sobre o solo,

Meu grosso ventre e amplidão.

Os gostos, diz a flor, bem diferentes são;

Tu queres consagrar-te ao gozo, à vida em féria,

Ao bem-estar só da matéria;

Creio fazer melhor, vejas bem, neste instante,

Em abreviar minha existência,

Me consagrando à excelência,

Do sentimento bom, da inteligência,

Terei vivido assim bastante.

 

.Dombre (de Marmande)

 

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.